Ser fotógrafo, ou mesmo ter uma câmera semiprofissional, traz bons e maus momentos. Se a câmera anda a tiracolo, não há como passar uma noite sem o pedido de tirar uma – ou várias – fotos. Por vezes se quer aproveitar a festa, ficar com os amigos ou a namorada, ou simplesmente descansar da profissão, mas aquele pedido de última hora muda os planos do dia. O que fazer? Desculpe, mas não tenho soluções para uma possível fuga: tenho é uma maneira de facilitar as coisas.
O exemplo que trago é o de aniversário de seis anos de minha sobrinha mais velha, a Manú. Era um daqueles dias que a gente acorda atravessado e não quer nem conversar, mas eu não queria que isso atrapalhasse as fotos a que eu me comprometi de tirar. Eu não estava 100%, então procurei fazer coisas que me divertissem.
Se tens que fazer fotos, faz sempre pensando em vendê-la para a capa de uma revista – ou no caso em que aprendi, de um jornal (agradecimentos a um dos meus mestres, Carlos Queiroz, que muito me ensinou no Diário Popular). Não há espaço para displicência. Cada foto tem de ser A Foto. E, a maneira mais fácil de chegar a ela é explorar e evoluir no tema, sempre que possível, se divertindo durante o trajeto.
“Manú, faz um seis aí pro tio!” – e lá se vai uma sequência de flashes na pobre criança. É, assim todo mundo sai ganhando. Ela, daqui a alguns anos, quando for ver seu passado; a família, que fica com boas fotos da pequena; e eu, que consigo mais material pra mostrar meu trabalho. “Com quem queres tirar uma foto agora?” – e a irmãzinha aparece no colo da pequena mais que depressa.
Depois de algumas fotos com os familiares vem o problema de festas – principalmente infantis: “Ah Dio (como ela me chama), deixa eu brincar! Eu quero ir pra piscina de bolinhas! Eu não quero mais tirar fotos!!”
Pois bem! Uma fila de crianças jogando bolinhas pra derrubar a aniversariante na tal da piscina, a minha sobrinha com cara de espanto, e eu me esforçando à beça pra segurar o riso da cena, com a câmera na expressão da guria.
Mas expressão mesmo veio na hora de cantar os parabéns. A cara de sapeca iluminada somente pela luz da vela enquanto a canção começava é como eu vejo o espírito da pequena.
Ainda fiz outros cliques, como do balão surpresa e da criançada avançando nos doces, e, depois de umas boas risadas, fui pra casa.
Eu não iria me perdoar de ter desperdiçado esse momento e, por mais que as vezes eu pareça querer fugir disso, poucas coisas me fazem mais feliz do que ter um trabalho como o meu.



































