Aproveitar os Momentos

•Agosto 15, 2009 • Deixe um comentário

Ser fotógrafo, ou mesmo ter uma câmera semiprofissional, traz bons e maus momentos. Se a câmera anda a tiracolo, não há como passar uma noite sem o pedido de tirar uma – ou várias – fotos. Por vezes se quer aproveitar a festa, ficar com os amigos ou a namorada, ou simplesmente descansar da profissão, mas aquele pedido de última hora muda os planos do dia. O que fazer? Desculpe, mas não tenho soluções para uma possível fuga: tenho é uma maneira de facilitar as coisas.

O exemplo que trago é o de aniversário de seis anos de minha sobrinha mais velha, a Manú. Era um daqueles dias que a gente acorda atravessado e não quer nem conversar, mas eu não queria que isso atrapalhasse as fotos a que eu me comprometi de tirar. Eu não estava 100%, então procurei fazer coisas que me divertissem.

Se tens que fazer fotos, faz sempre pensando em vendê-la para a capa de uma revista – ou no caso em que aprendi, de um jornal (agradecimentos a um dos meus mestres, Carlos Queiroz, que muito me ensinou no Diário Popular). Não há espaço para displicência. Cada foto tem de ser A Foto. E, a maneira mais fácil de chegar a ela é explorar e evoluir no tema, sempre que possível, se divertindo durante o trajeto.

“Manú, faz um seis aí pro tio!” – e lá se vai uma sequência de flashes na pobre criança. É, assim todo mundo sai ganhando. Ela, daqui a alguns anos, quando for ver seu passado; a família, que fica com boas fotos da pequena; e eu, que consigo mais material pra mostrar meu trabalho. “Com quem queres tirar uma foto agora?” – e a irmãzinha aparece no colo da pequena mais que depressa.

Depois de algumas fotos com os familiares vem o problema de festas – principalmente infantis: “Ah Dio (como ela me chama), deixa eu brincar! Eu quero ir pra piscina de bolinhas! Eu não quero mais tirar fotos!!”

Pois bem! Uma fila de crianças jogando bolinhas pra derrubar a aniversariante na tal da piscina, a minha sobrinha com cara de espanto, e eu me esforçando à beça pra segurar o riso da cena, com a câmera na expressão da guria.

Mas expressão mesmo veio na hora de cantar os parabéns. A cara de sapeca iluminada somente pela luz da vela enquanto a canção começava é como eu vejo o espírito da pequena.

Ainda fiz outros cliques, como do balão surpresa e da criançada avançando nos doces, e, depois de umas boas risadas, fui pra casa.

Eu não iria me perdoar de ter desperdiçado esse momento e, por mais que as vezes eu pareça querer fugir disso, poucas coisas me fazem mais feliz do que ter um trabalho como o meu.

 

Portifólio Fotográfico – Diogo Sallaberry

•Julho 17, 2009 • Deixe um comentário

Vídeo teste com o intuito de divulgar o trabalho do fotógrafo Diogo Sallaberry.

Todas as imagens são obras intelectuais do autor, protegidas por direitos autorais, e devem ser utilizadas somente com seu consenso.

Música: Zankoku na Tenshi no Teeze (Strings Version)
Compositor: Yoko Takahashi

Qualquer dúvida, sugestão ou problema, entrar em contato através de dsallaberry@gmail.com

A Gravidez (no caso,de minha irmã) sob meu olhar (e minha fotografia)

•Maio 24, 2009 • 3 Comentários

Mais de um mês longe do fotojornalismo diário. Mas a paixão pela fotografia não morre, não, de maneira alguma, pois não paro nunca. Fotografia é mais uma entre as tantas artes que exigem dedicação. Música, dança, desenho, pintura… com o tempo o artista desenvolve seu estilo e ganha controle sobre a técnica. Não se pode é parar!

Recentemente fiz as fotos da minha irmã, a Cel, e da minha afilhada, a Júlia, que ainda está na barriga dela. Gravidez é algo supremo, sublime, bonito por si só. Mas sempre se pode buscar algo mais.

Para fazer as fotos procurei material relacionado na internet, fiz esboços mentais do que gostaria e cliquei. Não foi utilizada maquiagem por eu acreditar que é um acontecimento mais íntimo, mais natural, e que nada como a beleza e a pureza de uma mulher grávida para falar tudo. Algumas fotos foram feitas em P&B, algumas coloridas, algumas com ajuda de uma lâmpada de 500W, algumas com a ajuda de meu flash, e, como sempre, as mais bonitas com a ajuda da luz natural. A câmera utilizada foi uma Nikon D40X, com uma lente 18-55mm 3.5-5.6 e uma 50mm 1.8. Todas as fotos foram feitas na casa da Cel. Espero que gostem! Aos seis meses da Julinha pretendo fazer um fotobook com o essas e outras fotos dela.

Retratar: A arte mais refinada dentro da fotografia.

•Abril 18, 2009 • Deixe um comentário

Logo que entrei no Diário Popular (Pelotas – RS) aprendi que o Fotojornalismo trata o fazer humano em suas constantes atualizações. O homem sempre deu o toque a mais nas fotografias – e sempre foi difícil de ser capturado com sua alma. Muitas vezes as próprias pessoas é que são a notícia, e ser um bom fotógrafo não te faz ser um bom retratista.

Expressão, luz, enquadramento, contexto. Para um retrato dar certo não adianta chegar, bater uma foto e ir embora sem conversar com a pessoa, sem entender o que deve ser passado na foto. Ao longo dos últimos 11 meses fiz mais retratos que no resto de minha vida – mas ainda falta muito para me considerar um retratista.

Mas vamos a alguns retratos meus (nenhum deles editado).

Foto I – Reabertura da Biblioteca Pública de Pelotas pós-reforma. Fomos ver o que as pessoas acharam das mudanças. Iluminação natural (+2/3 de iluminação no fotômetro). O enquadramento valorizou a biblioteca.

Foto II – Festa Junina, Escolinha Vira-Lata. Chapéu de caipira no chão, outros caipiras ao fundo, foto tirada no momento em que ele levantou o suco. Flash virado para esquerda e para baixo.

Foto III – Viagem ao Forte Sta Tereza com a Cisplatur. Joaquim e Natália. Luz natural do entardecer. Torre de observação do Forte ao fundo.

Foto IV – Colheita de flores para o feriado de Finados na Ilha dos Marinheiros. Fotometrei no céu, flash usado como preenchimento para o rosto não ficar escuro. Enquanto ela colhia eu a fotografava. Entrei em meio à plantação, coloquei as flores em primeiro plano, e cliquei quando ela levantou o rosto para ver o que eu fazia.

A Arte de Ser do “Contra”

•Abril 3, 2009 • Deixe um comentário

Luz é para ser usada. A favor ou contra, no assunto ou ao fundo, o que importa é que exista. E uma das vantagens de não se usar a máquina no automático é a possibilidade de fazer “silhuetas” em muitas situações. Aí estão algumas delas:

Contra a Descrença:

Igreja da Nsa Sra da Saúde, Ilha dos Marinheiros, Rio Grande do Sul. Eu e o Douglas, colega de faculdade, fomos cobrir a preparação da festa que ocorreria no dia seguinte. Perto da hora de sair, a luz começou a baixar. Fomos do salão da Comunidade à Igreja. Alguns cliques no sentido fora-dentro. Quando cheguei no altar e virei para a rua imaginei uma foto e tentei por em prática. Essa fez a viagem valer!

Contra o Sedentarismo:

Pauta no Laranjal. O Sesc organizava durante as manhãs um grupo para praticar exercícios. A grande maioria era de idosos, que enfrentavam o sol com toda a disposição do mundo. Orientados por um estagiário da área de Educação Física, a primeira coisa que faziam era um completo alongamento do corpo. Enquanto alongavam eu me deitei no chão e fiz mais um contraluz para meu portifólio.

Contra a Mesmice

Quem em Pelotas nunca viu o nascer do sol na praia do Laranjal não sabe onde mora. Estávamos gravando o clipe da banda Soul da Silva: fogueira, praia, violão e amigos. E o sol nascendo. No trapiche, um trio admirava a cena. Caminhei até que ficassem na reta do sol, ajustei as informações na câmera e fiz a foto, esperando que um daqueles pássaros que por ali passavam saísse na foto. Confirmei quando vi a foto no computador.

Contra o Mundo

Páscoa de 2008. Fui fotografar para uma agência de turismo a viagem ao Forte Sta Tereza, Uruguay. O pessoal pediu para tirar uma foto sobre o muro do forte, à beira da bandeira do UY. Eu fiz a foto comum, de registro. Antes que eles saíssem eu pedi para esperarem um pouquinho que eu ia tentar fazer uma coisa. Aumentei a velocidade, fechei mais um pouco o diafragma “a olho” e pedi para que não ficassem tão juntos para a foto. Eu gosto de chamar essa de “Conquistadores do Mundo”.

Nossos Poucos Detalhes nos Tornam Tão Únicos

•Março 25, 2009 • Deixe um comentário

Fotografia é mistério, mistério de vários sentidos. Sua significação é uma construção conjunta do fotógrafo com o “Leitor” da imagem: cada um usa de sua bagagem pessoal para interpretar o que vê. Deve, portanto, o fotógrafo lembrar-se disso ao realizar seu trabalho. Entregar uma cena pronta para um leitor, mostrando tudo de todas as maneiras possíveis, tira o interesse. Às vezes uma foto só explica toda uma cena ao enquadrar um pequeno detalhe do acontecimento. Exemplos, como sempre, a seguir.

Brincando de Ser Gente Grande… Na Água

Durante a noite, barulho de chuva incessante, forte mesmo. Eu durmo, já imaginando a encrenca do dia seguinte. Ao amanhecer o telefone toca: a cidade estava embaixo d’água. Calcei minhas botas e fui para o jornal pegar o equipamento. Em algumas voltas pela cidade deu pra notar o caos: o pessoal abandonava suas casas levando o que podia. Fiz fotos gerais da enchente – aos montes. Até que procurei um detalhe que contasse uma história. Do outro lado da rua eu encontrei o que queria.

Um Reflexo Entre Tantos Cliques

Eu caminhava no calçadão de Pelotas quando vi a Banda da Brigada Militar se apresentando ali mesmo. O pessoal com seus celulares e câmeras registrando tudo, e eu, mais um entre tantos que se dizem fotógrafos, ali, pra provar que o que importa é visão. Era dia do músico e eu resolvi fazer alguns cliques do pessoal que estava ao redor. Voltei-me à banda e foi aí que notei o reflexo de um instrumento que mostrava parte do resto da banda, o braço do próprio instrumentista e um pouco do público presente. Botei o maestro no fundo, desfocado, no canto do quadro e apertei o botão. Não sei quantas fotos foram feitas aquele dia, mas suponho que poucas tenham sido tão completas.

Paz e Amor?

Torneio de Vale-Tudo. Perdi o primeiro lote de ingressos, então pedi para ir fotografar pelo jornal, mesmo que nada fosse publicado. A luta era numa estrutura de oito lados com grade. Fotos e mais fotos, mas eu não estava feliz. Como eu sempre faço primeiro uma visão “geral” e depois procuro os detalhes, comecei a procurá-los. Algumas expressões de dor dos lutadores, a platéia entusiasmada, os treinadores esperando a contagem de pontos… Nada me satisfez. Outra luta começa, um lutador leva o outro para o chão. Logo que cai, o que fica por baixo apóia seu pé na grade. Seus dedos, comicamente, fazem um sinal de “Paz e Amor”. Aquele momento durou uma fração de segundo, mas foi o suficiente. Eu clico e, até hoje, dou risada quando vejo essa foto. 

Enquanto Isso, Durante o Carnaval…

A pauta era a mudança do CAPS ESCOLA para um novo prédio. O CAPS é um Centro de Atenção Psicossocial da UCPel, um lugar onde os alunos do curso de Psicologia cuidam da reabilitação de pessoas que apresentam um quadro grave de transtornos mentais. Chegando lá conversamos com a responsável, conhecemos o ambiente e fizemos as fotos. A repórter foi perguntar para alguns pacientes em tratamento o que acharam do novo ambiente. Achamos um grupo de pacientes trabalhando em roupas e adornos para o Carnaval. Enquanto a repórter conversava com alguns deles, notei que um dos pacientes seguia trabalhando de maneira exemplar. Eu o observei por alguns segundos e notei, instantaneamente, que aquela atividade merecia uma foto. Eu não poderia identificá-lo, portanto não poderia aparecer seu rosto. Fiz a volta na mesa, desliguei o flash (para usar a luz natural da janela) e fotografei: só no jornal eu vi a solidão e a dedicação que aquela foto passava.

Não Conteste o Contexto

•Março 23, 2009 • Deixe um comentário

A Fotografia, principalmente a jornalística, deve alimentar. Informar, preencher, completar. E, se o faz, como poderia não levar em conta o contexto? Não adianta querer “superá-lo”: A fotografia reflete  uma fração de segundo pertencente a um contexto histórico,  a um certo local,  e, obviamente, com um significado particular.

Uma fotografia que leve em conta o contexto, que o possua de maneira completa, não necessita de legendas. Por vezes a legenda pode até atrapalhar a mensagem fotográfica. Quanto mais respostas se achar na própria cena, mais a fotografia alimenta. Sim, a mente também precisa de alimento, de combustível. E às vezes é bom pensar sozinho, sem ajuda de longas explicações sobre o assunto. E, a quem fotografa, é sempre bom entender o que está acontecendo para evitar imagens superficiais e alcançar composições memoráveis.

Detalhe e Todo [Foto I]

A pauta era algo que envolvia museus e coisas históricas. O dia estava cinzento; o céu, com cara de poucos amigos. Quinze minutos após nossa saída do jornal a chuva começa a cair. O trabalho, aquele, estava feito. Mas provavelmente alguém me ligaria para pedir “foto de chuva”. Entrei no carro, seguimos de volta à redação. O carro para no semáforo. Um click e eu estava com a foto.

Legenda Inserida na Imagem [Foto II]

Pauta: Crianças tendo aula na rua como forma de protesto contra o cancelamento da “Escola Itinerante”. As crianças, a maioria residente de assentamentos Sem-Terra, pintavam o desenho de um boi e de alguns outros animais enquanto uma manifestante falava, com o microfone, ao público presente. A cena estava vazia, não dizia muito. Pensei em usar uma bandeira do movimento em primeiro plano, mas não era bem essa a idéia. Passei o olho rapidamente sobre todos os manifestantes: nada demais. Voltei-me às crianças e aos professores. Andei no meio deles e, rapidamente vi uma legenda de que eu poderia me apropriar. Click. Foto garantida.

Texto para Induzir o Processo de Significação (Texto para Formar Sentido) [Foto III]

Eu caminhava pelo lado do Mercado Central de Pelotas, indo em direção à Prefeitura. Vi uma placa recém colocada e ri sozinho imaginando uma composição que usaria de seu duplo sentido. Diminuí o passo, olhei ao redor e encontrei quem seria o “ator” ideal para minha fotografia. Esperei ele entrar em meu “quadro imaginário”, levantei a câmera e…. feito! Se puser legenda, estraga.

Sobre Objetivos e Objetivas

•Março 20, 2009 • Deixe um comentário

Homicídio duplo na Vila Peres. A imprensa local já está toda lá, os peritos estão trabalhando nos corpos mas nada é visto de fora do cordão de isolamento da brigada. Eu chego e escuto “chegou mais um corvo”. Quem dera. Quem dera fosse eu um corvo sedento por carniça, que me saciaria ao degustar daquele acontecimento. Não, eu não sou como os muitos, ali congelados pela curiosidade, que se esticavam pra enxergar alguma coisa. Não é o que me deixa feliz – mas, sinceramente, também não me afeta. Só quero fazer meu trabalho. Faço-me de desentendido, finjo que não ouvi, e abro espaço entre as pessoas com meu escudo. Meu escudo é também minha arma, e eu o carrego à mão com o dedo no gatilho. Não ataco, não fisicamente, mas posso acabar com a imagem de uma pessoa em alguns décimos de segundo.

Chego à beira do cordão de isolamento, cumprimento os colegas de profissão. Intero-me do que aconteceu. Minutos depois tenho de sair dali – havia muito o que se fazer nessa manhã de sexta-feira – sem o que eu acredito ser “a foto”. E “a foto” não era de um dos corpos alvejados por munição de “.40″.  “A Foto” era algumas das pouco mais de 15 crianças, com olhos atentos, tentando entender o que aconteceu, observando os corpos sendo carregados pela perícia. Infelizmente, não deu pra fazer esse click. Mas como saber o que é “a foto” se eu nem mesmo a fiz? Meu objetivo é explicar um pouco disso a cada post deste blog.

Diogo Sallaberry – 20/03/09

Paixão Em 10 Minutos

•Março 17, 2009 • Deixe um comentário

Um blog de momentos. Um blog de sentimentos. Um blog de clicks que, se unidos no tempo, caberiam todos em alguns 10 minutos. Um blog de um guri com uma câmera na mão, com um pouco de cara de pau, com uma certa noção na cabeça e um olhar já treinado. Um blog de alguem que quer (e caminha para) ser recordado. Um blog de um fotógrafo.